domingo, 30 de novembro de 2014

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TÓPICO II

MODELOS E TENDÊNCIAS EVOLUTIVAS DOS SISTEMAS EDUCATIVOS EUROPEUS

"O principal objectivo da educação é ensinar os mais novos a pensar e a resolução de problemas constitui uma arte prática que todos os alunos podem aprender. Porque o ensino é, na sua perspectiva, também uma arte, ninguém pode programar ou mecanizar o ensino da resolução de problemas; este ensino é uma actividade humana que requer experiência, gosto e bom senso".  
 Boavida, J.J.
Da Idade Média até ao Século das Luzes os modelos educativos foram sofrendo muitas transformações resultantes de diversos fatores, muitos deles associados à evolução social, pois não se pode falar da Educação sem associar o termo à história das sociedades.

Na Idade média, devido às influências do momento, fora do ensinar a ler, escrever e a contar, em Portugal a educação tinha como preocupação dominante o caráter religioso influenciado e difundido pelos Jesuítas, embora no resto da Europa já existisse uma efervescência científica e de mudança da mentalidade.

Por se notar uma certa estagnação em relação aos outros países europeus, Portugal vê uma necessidade de imprimir certas reformas no ensino, algumas das notáveis nos enunciados pragmáticos e pedagógicos, problemas referidos na Constituição que saiu da Revolução Liberal de 1820 e nessa altura muitas inovações foram introduzidas, dentre as quais citam-se: “…a criação, pela primeira vez, de um Ministério da Instrução Pública, a de Escolas Normais femininas em Lisboa e no Porto, a fundação de escolas comerciais e industriais e de escolas de desenho industrial.” (Breve Introdução Histórica do Sistema Educativo, OEI-Ministério da Educação de Portugal).

Com estas inovações é visível que há uma certa preocupação em dar uma direção diferente ao ensino, ou seja, a exigência internacional e a comparação de modelos educativos impulsionaram a mudança de paradigmas educacionais no contexto Português, onde a globalização começa a se fazer sentir com mais força e emerge a tendência da formação com base nas necessidades económicas.

Grande abertura no sistema educativo Português toma grandes proporções com a mudança do regime trazida pela Revolução de Abril e a Educação começa a enfrentar novos desafios e o sistema de ensino conhece transformações qualitativas e quantitativas, a destacar as relações entre a Educação e a economia, a aposta na formação profissional, a organização e administração do próprio sistema educativo, a escolha de melhores modelos educativos de modo a dar uma resposta positiva às necessidades do país e do Homem que se tornou cada vez mais amplo, multicultural e multifacetado.

Trata-se de desafios constantes, pois da antiguidade até então, a perceção do Homem sobre o mundo tem vindo a ocorrer de diversas formas e atualmente este recebe várias informações em simultâneo e de diversas fontes daí que, a escola, para responder a essa demanda é obrigada também a “desafiar” as necessidades de aprendizagem das novas gerações para lhes poder oferecer um ensino que encaixe com a sua realidade como: a extinção da escola do livro único, do ensino unificado e exclusivamente académico, considerando que a diversificação de métodos, meios, estratégias de ensino, o olhar no Homem como um ser pensante são instrumentos que ajudam na eliminação da escola tradicional, substituindo-a pela escola humanizada, onde há harmonização, negociação, trocas de experiências e com o professor como um mediador/ orientador que procura ensinar o aluno a pensar, a ser criativo e a construir os seus próprios destinos.

E em consonância com a conceção da escola nova, nota-se um grande sucesso escolar quando esta dá uma certa primazia à forma como os jovens desejam aprender, aliás hoje em dia está mais do que provado que os alunos perdem interesse com as aulas expositivas, eles precisam de interagir com a tecnologia, buscarem por si os conhecimentos, “usando” o professor para orientações.
Em suma, os modelos e tendências evolutivas dos sistemas educativos, na Europa como em uma outra parte do mundo têm de espelhar a realidade na qual estão submetidos e olharem para o próprio desenvolvimento social de modo a criarem parâmetros que conduzam o processo de ensino e aprendizagem na formação de um ser reflexivo, humanizado e multicultural, ensinando-o a pensar para saber tomar decisões certas e refletidas no momento certo.


Referências bibliográficas

BENEDITO, N. (2007). Centralização de Sistemas Educativos e Autonomia dos Actores Organizacionais – Tese de doutoramento. Universidade do Minho.

CARNEIRO, R. (2007). A Evolução da Economia e do Emprego - Novos Desafios para os Sistemas Educativos no Dealbar do Século XXI.