TÓPICO II
MODELOS E TENDÊNCIAS EVOLUTIVAS DOS
SISTEMAS EDUCATIVOS EUROPEUS
"O principal objectivo da educação é ensinar
os mais novos a pensar e a resolução de problemas constitui uma arte prática
que todos os alunos podem aprender. Porque o ensino é, na sua perspectiva,
também uma arte, ninguém pode programar ou mecanizar o ensino da resolução de problemas;
este ensino é uma actividade humana que requer experiência, gosto e bom
senso".
Boavida, J.J.

Da Idade Média até ao Século
das Luzes os modelos educativos foram sofrendo muitas transformações
resultantes de diversos fatores, muitos deles associados à evolução social,
pois não se pode falar da Educação sem associar o termo à história das
sociedades.
Na Idade média, devido às
influências do momento, fora do ensinar a ler, escrever e a contar, em Portugal
a educação tinha como preocupação dominante o caráter religioso influenciado e
difundido pelos Jesuítas, embora no resto da Europa já existisse uma
efervescência científica e de mudança da mentalidade.
Por se notar uma certa
estagnação em relação aos outros países europeus, Portugal vê uma necessidade
de imprimir certas reformas no ensino, algumas das notáveis nos enunciados
pragmáticos e pedagógicos, problemas referidos na Constituição que saiu da
Revolução Liberal de 1820 e nessa altura muitas inovações foram introduzidas,
dentre as quais citam-se: “…a criação, pela primeira vez, de um Ministério da Instrução Pública, a de
Escolas Normais femininas em Lisboa e no Porto, a fundação de escolas
comerciais e industriais e de escolas de desenho industrial.” (Breve Introdução Histórica do Sistema
Educativo, OEI-Ministério da Educação de Portugal).
Com estas inovações é visível que há uma
certa preocupação em dar uma direção diferente ao ensino, ou seja, a exigência
internacional e a comparação de modelos educativos impulsionaram a mudança de
paradigmas educacionais no contexto Português, onde a globalização começa a se
fazer sentir com mais força e emerge a tendência da formação com base nas
necessidades económicas.
Grande abertura no sistema educativo
Português toma grandes proporções com a mudança do regime trazida pela Revolução
de Abril e a Educação começa a enfrentar novos desafios e o sistema de ensino
conhece transformações qualitativas e quantitativas, a destacar as relações
entre a Educação e a economia, a aposta na formação profissional, a organização
e administração do próprio sistema educativo, a escolha de melhores modelos
educativos de modo a dar uma resposta positiva às necessidades do país e do
Homem que se tornou cada vez mais amplo, multicultural e multifacetado.
Trata-se de desafios constantes, pois da
antiguidade até então, a perceção do Homem sobre o mundo tem vindo a ocorrer de
diversas formas e atualmente este recebe várias informações em simultâneo e de
diversas fontes daí que, a escola, para responder a essa demanda é obrigada
também a “desafiar” as necessidades de aprendizagem das novas gerações para lhes
poder oferecer um ensino que
encaixe com a sua realidade como: a extinção da escola
do livro único, do ensino unificado e exclusivamente académico, considerando
que a diversificação de métodos, meios, estratégias de ensino, o olhar no Homem
como um ser pensante são instrumentos que ajudam na eliminação da escola
tradicional, substituindo-a pela escola humanizada, onde há harmonização,
negociação, trocas de experiências e com o professor como um mediador/
orientador que procura ensinar o aluno a pensar, a ser criativo e a construir
os seus próprios destinos.
E em consonância com a conceção da
escola nova, nota-se um grande sucesso escolar quando esta dá uma certa primazia
à forma como os jovens desejam aprender, aliás hoje em dia está mais do que
provado que os alunos perdem interesse com as aulas expositivas, eles precisam
de interagir com a tecnologia, buscarem por si os conhecimentos, “usando” o
professor para orientações.
Em suma, os modelos e tendências
evolutivas dos sistemas educativos, na Europa como em uma outra parte do mundo
têm de espelhar a realidade na qual estão submetidos e olharem para o próprio
desenvolvimento social de modo a criarem parâmetros que conduzam o processo de
ensino e aprendizagem na formação de um ser reflexivo, humanizado e
multicultural, ensinando-o a pensar para saber tomar decisões certas e
refletidas no momento certo.
Referências bibliográficas
BENEDITO, N. (2007). Centralização de Sistemas Educativos e
Autonomia dos Actores Organizacionais – Tese de doutoramento. Universidade
do Minho.
CARNEIRO, R. (2007). A Evolução da Economia e do Emprego - Novos
Desafios para os Sistemas Educativos no Dealbar do Século XXI.
Sem comentários:
Enviar um comentário